No caminho que me perdi,
Numa rota obscura,
Por onde errado eu segui,
Tentei achar ternura.
E o que encontrei
Foi só loucura...
Solidão também achei...
Achei também muita amargura.
Esse caminho que era tão claro,
Agora está muito escuro.
Todo brilho agora é raro...
E todo ar deixou de ser puro.
Os ventos já não sopram mais,
O que preocupa e destrói
São os fortes vendavais,
Acabando com a vida que constrói.
Mas chega à hora da bonança,
E no meu pobre coração,
Ainda há esperança,
Pra toda essa destruição:
O vento como brisa,
O sol como uma conquista,
A esperança que se realiza,
E o desejo bem otimista.
O sol volta a brilhar,
As árvores a florescerem...
Há sombras pra conversar
E todos se entenderem.
Um caminho para andar,
E o vento poder dominar...
A vida sempre a cantar
E o coração sempre a amar.
(Eduardo Gois)