domingo, 1 de janeiro de 2012

Caminho dos ventos III

No caminho que me perdi,
Numa rota obscura,
Por onde errado eu segui,
Tentei achar ternura.

E o que encontrei
Foi só loucura...
Solidão também achei...
Achei também muita amargura.

Esse caminho que era tão claro,
Agora está muito escuro.
Todo brilho agora é raro...
E todo ar deixou de ser puro.

Os ventos já não sopram mais,
O que preocupa e destrói
São os fortes vendavais,
Acabando com a vida que constrói.

Mas chega à hora da bonança,
E no meu pobre coração,
Ainda há esperança,
Pra toda essa destruição:

O vento como brisa,
O sol como uma conquista,
A esperança que se realiza,
E o desejo bem otimista.

O sol volta a brilhar,
As árvores a florescerem...
Há sombras pra conversar
E todos se entenderem.

Um caminho para andar,
E o vento poder dominar...
A vida sempre a cantar
E o coração sempre a amar.

                                 (Eduardo Gois)