sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Por inteiro


Quero o estrago da dor
Que o mundo
Corrompido e sem amor
Por todo o resto alastrou.

Quero que me leve
Qualquer resto de amor...
O amor que me parece ilusão,
Que só me causa decepção.

Sentir o medo
Correndo pelo corpo...
O medo de apenas
Encarar o teu rosto.

Esquecer de quem sou
Esquecer pra onde vou...
Pois pra mim nada mais importa:
O que era meu, em mim, nada restou.

Matando-me aos poucos
Com o veneno do torpor...
A indiferença à minha própria vida
E a tudo que acreditei ter valor.

O suicídio dos valores
E o absurdo de encontrar felicidade
E alívio em apenas algumas doses...
E vou me distanciando da verdade...

A verdade que pra mim
É quase utópica...
E que apesar
De me confrontar,

...de tentar não acreditar,
Eu sei, e com pesar,
Que por inteiro
Eu sou amor...

E sei também,
Que por isso,
Por inteiro,
Eu também sou dor. 

                          (Eduardo Gois)

Nenhum comentário:

Postar um comentário